Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Ele não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição de um médico ou nutricionista. Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação.
A busca pela saúde plena e pela longevidade no século XXI passa, em boa parte, pela compreensão de que o corpo humano exige “combustíveis” específicos para funcionar bem. Entre esses componentes, o magnésio se destaca como um dos minerais mais cruciais. Segundo o Dr. Fernando Lemos, o magnésio é o quarto mineral mais abundante em nosso organismo e está envolvido em mais de 350 reações enzimáticas essenciais. Sem níveis adequados dele, o corpo simplesmente não opera em sua capacidade máxima.
Especialistas como o Dr. Juliano Teles chamam atenção para o fato de que vivemos em uma era de carência generalizada desse mineral. Segundo ele, o solo brasileiro — por não ser predominantemente de origem vulcânica — tende a ser mais pobre em magnésio, o que se reflete nas plantações e na água. Some-se a isso o estresse do dia a dia, que faz o corpo eliminar magnésio mais rapidamente pela urina, e temos um cenário de deficiência crônica em boa parte da população.
Diante disso, uma das dúvidas mais comuns na hora de suplementar é: qual magnésio escolher? Entre as diversas formas disponíveis, o Magnésio L-Treonato e o Magnésio Dimalato estão entre as mais discutidas, mas atuam de formas bem diferentes no organismo — e entender essa diferença evita compras erradas e expectativas frustradas.
Se você ainda não leu, temos outros dois artigos que se conectam com este: Chega de Cansaço: Descubra os Nutrientes que Vão Turbinar sua Disposição Diária e Vitamina D e Magnésio: A Dupla Essencial para Mais Saúde e Disposição.
1. Magnésio L-Treonato: O Magnésio Voltado para o Cérebro
O Magnésio L-Treonato é frequentemente chamado de “magnésio cerebral”. A principal diferença dessa forma em relação às demais é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica com mais eficiência. Enquanto outras formas de magnésio têm dificuldade em penetrar no sistema nervoso central, o treonato consegue chegar ao cérebro em maior quantidade, onde exerce funções relevantes para a cognição.
Mecanismo de ação e plasticidade cerebral: segundo o Dr. Fernando Lemos, o fundamento por trás do treonato está relacionado à sua capacidade de contribuir para a densidade das sinapses neuronais e para a plasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de formar e reforçar conexões entre neurônios, algo relacionado à memória e ao aprendizado. Vale destacar que existem estudos clínicos controlados sobre o tema: uma pesquisa publicada na revista científica Nutrients, em 2022, avaliou o uso de uma fórmula à base de magnésio L-treonato por 30 dias em adultos saudáveis e observou melhoras em testes de memória, com resultados ainda mais expressivos entre os participantes mais velhos.
Principais benefícios associados ao Treonato:
- Memória e concentração: costuma ser citado como suplemento de interesse para quem tem rotina de trabalho intelectual intenso, estuda para concursos ou sente que a névoa mental tem atrapalhado o rendimento.
- Ansiedade: por atuar diretamente no sistema nervoso central, é associado a um possível efeito calmante, podendo ser um coadjuvante — nunca substituto — no manejo de quadros de ansiedade leve.
- Organização dos pensamentos: é associado à clareza mental e à velocidade de raciocínio.
- Sono: aqui vale uma ressalva importante. Embora o Dr. Juliano Teles cite benefícios do treonato para o sono, outras fontes especializadas em suplementação apontam o Magnésio Bisglicinato (Quelato) como a forma mais indicada especificamente para relaxamento muscular e qualidade do sono, já que seu mecanismo é mais voltado à musculatura e ao sistema nervoso periférico. Na prática, muita gente combina as duas formas — o treonato pelo efeito cognitivo, e o bisglicinato pelo efeito relaxante — mas vale testar e observar a resposta do próprio corpo.
2. Magnésio Dimalato: Energia e Equilíbrio Físico
Se o treonato tem seu foco mais voltado à “máquina pensante”, o Magnésio Dimalato está mais associado à “máquina física” e ao equilíbrio metabólico. Essa forma de magnésio é ligada ao ácido málico, substância que participa do Ciclo de Krebs — o processo pelo qual as células geram energia.
O fator intestinal — o grande diferencial na escolha: um dos pontos mais destacados pelo Dr. Juliano Teles para diferenciar as formas de magnésio é o efeito sobre o intestino. De forma geral, o magnésio tem uma ação relaxante sobre a musculatura intestinal — mas essa ação varia de intensidade conforme a forma química:
- O Magnésio Quelato (Bisglicinato) costuma ser mais indicado para quem sofre de intestino preso, já que tende a ter um efeito suavemente laxativo, ajudando na consistência das fezes.
- O Magnésio Dimalato, por outro lado, é indicado para quem já tem o intestino normal ou mais solto, oferecendo os benefícios sistêmicos do mineral com menor chance de causar desconforto digestivo.
Principais benefícios associados ao Dimalato:
- Produção de energia: por estar ligado ao ácido málico, é associado ao combate à fadiga física e à chamada “fadiga crônica”, relacionada ao suporte mitocondrial.
- Saúde muscular: costuma ser citado para relaxamento muscular, prevenção de tensões e câimbras — sintoma frequentemente atribuído à falta de potássio, mas que também está fortemente relacionado à deficiência de magnésio.
- Saúde cardiovascular: é associado ao suporte no controle de arritmias e à produção de óxido nítrico, substância que favorece a vasodilatação e pode contribuir para o controle da pressão arterial — sempre como parte de um cuidado mais amplo, nunca como substituto de tratamento cardiológico.
3. Comparação Direta: Qual a Diferença na Prática?
| Característica | Magnésio L-Treonato | Magnésio Dimalato |
| Foco principal | Cérebro e sistema nervoso central | Músculos, energia e metabolismo |
| Principais indicações | Memória, foco, névoa mental, ansiedade leve | Fadiga física, câimbras, suporte cardiovascular |
| Impacto intestinal | Neutro, baixo efeito laxativo | Indicado para intestino normal ou solto |
| Barreira hematoencefálica | Atravessa com boa eficiência | Atuação predominantemente sistêmica (corpo) |
| Horário sugerido | Manhã (foco) ou à noite (relaxamento mental) | Longe das refeições, de preferência pela manhã |
4. Como e Quando Suplementar: Orientações Gerais
A eficácia da suplementação não depende só do tipo de magnésio escolhido, mas também de como ele é administrado — e, principalmente, de uma avaliação individual prévia.
Faixas de dose citadas pelos especialistas (apenas como referência, não como prescrição):
- Treonato: o Dr. Juliano Teles cita uma faixa de 350 mg a 400 mg pela manhã, podendo haver uma segunda dose à noite. O Dr. Fernando Lemos menciona que a dose pode variar bastante — de 350 mg a valores bem mais altos —, dependendo da necessidade individual identificada por exames.
- Dimalato (ou Quelato): geralmente recomendado longe das refeições — em jejum ou entre elas —, já que o magnésio pode neutralizar parte da acidez gástrica necessária à digestão de proteínas. A faixa citada como referência gira em torno de 350 mg a 500 mg de magnésio elementar por dia.
Um ponto de atenção prático: doses de magnésio acima de 350-400 mg elementares por dia podem, em algumas pessoas, causar efeito laxativo mesmo em formas menos associadas a esse efeito. O ideal é sempre começar com doses menores e ajustar gradualmente com orientação profissional.
A Importância dos Exames: Magnésio Sérico x Eritrocitário
Um alerta relevante feito pelo Dr. Fernando Lemos é sobre a forma correta de avaliar os níveis de magnésio no corpo. Segundo ele, apenas cerca de 1% do magnésio do organismo circula no sangue — os outros 99% ficam armazenados dentro das células. Por isso, o exame de sangue mais comum (magnésio sérico) pode apresentar resultado dentro da normalidade mesmo quando a pessoa está com deficiência real do mineral. O exame mais indicado para avaliar isso com mais precisão é o magnésio eritrocitário (ou intracelular).
5. Sinergia: É Possível Tomar os Dois Juntos?
Sim — e essa é, inclusive, uma estratégia bastante citada pelos especialistas. O Dr. Juliano Teles relata utilizar dois tipos de magnésio na própria rotina: o treonato voltado ao cérebro e o quelato (ou dimalato) voltado ao corpo. O magnésio também é necessário para a ativação da Vitamina D3 no organismo — sem magnésio suficiente, a Vitamina D pode não exercer plenamente suas funções (já discutimos essa relação no nosso artigo sobre Vitamina D e Magnésio).
6. Mitos e Verdades Sobre a Suplementação de Magnésio
- Pode tomar por muito tempo? Em geral, sim, já que a deficiência costuma ser causada por fatores ambientais persistentes. Ainda assim, o acompanhamento periódico com exames é importante.
- Ataca o estômago? Quando tomado corretamente, tende a ser bem tolerado.
- Precisa de receita? O ideal é sempre contar com acompanhamento médico ou nutricional para ajuste fino das doses com base em exames.
Conclusão: Qual Magnésio Escolher?
A escolha entre magnésio treonato e dimalato depende do seu objetivo de saúde e da sua resposta intestinal. Se o foco é performance cognitiva, memória e névoa mental, o Magnésio L-Treonato tende a ser a opção mais estudada para esse fim. Se o objetivo é energia física, alívio de câimbras e suporte cardiovascular, o Magnésio Dimalato costuma ser a opção mais indicada.
Fontes de Pesquisa
- Dr. Juliano Teles (conteúdo educativo veiculado em canal do YouTube e prática clínica citada nas transcrições utilizadas como base para este artigo).
- Dr. Fernando Lemos (Coloproctologista e especialista em saúde intestinal — canal Planeta Intestino).
Este artigo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica. Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação.
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